Conteúdo técnico, elaborado para profissionais de saúde
Criado em 12/09/2026
Para textos introdutórios em linguagem acessível, leia:
- Cordoma: possibilidade de tratamento efetivo no Brasil – Radioterapia de Alta Dose com IG-IMRT
- Cordoma: afinal, o que é radioterapia de alta dose?
Conteúdo
Tecnologia mínima para Tratamento
- IMRT / VMAT (fótons)
- IGRT diário
Volumes de Tratamento
Volumes-alvo de Stachiotti et al. – Cordoma Consensus 2015
Conceito geral
- CTV1 (risco microscópico): inclui GTV + áreas de extensão pré-operatória, todo compartimento ósseo, margem de tecido mole
- CTV2 (boost): doença residual microscópica no leito tumoral pós-cirúrgico, reconstruída pela descrição cirúrgica e relatório anátomo-patológico
- CTV3 (cone-down, quando aplicável): sítios de doença macroscópica residual
Regras específicas de expansão/ajuste do CTV1
- Infiltração de músculos longos pré-vertebrais: o CTV1 deve ser estendido para incluir essa área.
- Associação com nervo craniano: os volumes devem ser ajustados para poupar nervos.
- Trajeto cirúrgico/biópsia (base do crânio): a semeadura/recidiva ao longo do trajeto cirúrgico ocorre em <5% dos casos; incluir todo o trajeto de acesso cirúrgico no CTV1 permanece controverso, assim como a inclusão do espaço retrofaríngeo como possível sítio de recidiva.
Definição por sítio anatômico
- Base do crânio / coluna cervical: volumes conforme princípios gerais acima; CTV1 deve considerar extensão intradural quando presente.
- Sacro: CTV1 deve contemplar o alto risco de difusão lateral em músculos glúteos, músculos piriformes, asas ilíacas e lâmina quadrilateral, além da extensão inicial da doença — incluindo pelo menos um a dois corpos vertebrais rostrais ao tumor detectável.
- Coluna toracolombar: CTV1 deve incluir um corpo vertebral, tanto cranial quanto caudal ao tumor detectável, e a musculatura paraespinhal.
Fusão de imagens
A definição dos CTVs exige fusão de imagem entre a TC de planejamento e a RM pré- e pós-operatória, além de considerar a descrição detalhada do procedimento cirúrgico e sintomas iniciais.
Volumes-alvo de Chen et al. – ICESP, J Neuro Onc 2022
Princípios de contorno
- GTV/CTV de alto risco (high-risk CTV): inclui todo o compartimento ósseo envolvido, com margem de tecido mole de:
- 1–5 mm em cordomas cervicais e do clivus
- 5–10 mm em cordomas sacrais e lombares
- Margem adicional pode ser aplicada para possível edema de tecido mole ao longo do tratamento
- Edição do CTV: remoção de sobreposição com OAR críticos não envolvidos.
- CTV de risco intermediário:
- Para cordomas pequenos e intactos: considerar omitir o CTV de risco intermediário ou tratar apenas o trajeto da biópsia
- Para casos pós-operatórios: margens mais amplas cobrindo o leito cirúrgico e compartimentos anatômicos correspondentes
- trajeto cirúrgico: cobrir todo o acesso cirúrgico até a pele, especialmente em cordomas atípicos
- Delineamento da medula espinhal: RM ponderada em T2 ou mielo-TC
- PRV da medula espinhal: medula verdadeira + margem de 1,5 mm
- Margem PTV: 1–3 mm, sem expansão para o canal espinhal; margem de 1 mm quando o tumor toca OAR crítico
- Margem de “auto flash” (para volumes CTV próximos a pele: 1–2 cm, para permitir possível edema de partes moles durante o tratamento
Dose de prescrição e Constraints
Doses de Prescrição de Stachiotti et al. – Cordoma Consensus 2015
FRACIONAMENTO CONVENCIONAL (fótons e prótons, 1,8–2 GyE/fração)
| Situação | Volume | Dos |
|---|---|---|
| Doença macroscópica (residual) | CTV3 | ≥74 GyE |
| Doença microscópica leito tumoral | CTV2 | ≥74 GyE |
| Volume pré-op + possível extensão microscópica | CTV1 (mais amplo) | 50–54 GyE |
| Pós-R1/R0 (margem livre/próxima) | Volume de alto risco | pode ser limitado a 70 GyE |
ÍONS DE CARBONO (hipofracionamento, 16 a 22 frações (3 – 4,4 GyE/fração)
| Situação | Volume | Dose |
|---|---|---|
| Doença macroscópica (residual) | CTV3 | 66–67,6 GyE total |
| Doença microscópica leito tumoral | CTV2 | 66–67,6 GyE total |
| Volume pré-op + possível extensão microscópica | CTV1 (mais amplo) | ≥36 GyE |
Constraints de Stachiotti et al. – Cordoma Consensus 2015
Tabela de constraints de dose recomendados de Stacchiotti et al. (Lancet Oncol 2015)[1]:
| Órgão de risco | Endpoint clínico | Dose (fracionamento padrão) | Dose (hipofracionamento c/ íons de carbono) |
|---|---|---|---|
| Via óptica (quiasma e cada nervo óptico, separadamente) | Perda visual | D2 < 60Gy | D2 < 40Gy |
| Tronco cerebral | Qualquer efeito tóxico mensurável | Dsuperfície < 63Gy / Dcentro < 50Gy | Dmáx < 40 Gy |
| Lobo temporal | Necrose visível em RM | D2cc* < 71Gy | Dmáx V-1cc < 68,8Gy |
| Cauda equina / raízes sacrais / nervo periférico (ciático) | Déficit sensitivo-motor / dor | Dose total < 70,2Gy | D10cm do nervo ciático < 70Gy |
| Pele | Necrose de pele, necessidade de enxerto | Sem dado específico | D2cm² < 60Gy |
| Medula espinhal (cervical) | Qualquer sintoma clínico | Dsuperfície 67Gy / Dcentro 55Gy | Sem dado específico |
| Medula espinhal (torácica ou lombar) | Qualquer sintoma clínico | Dsuperfície 63Gy / Dcentro 54Gy | Sem dado específico |
D2 = dose em 2% do volume; *D2cc = Dose medida em 2 mL de volume; Dmáx V-1cc = Dose máxima recebida pelo órgão após subtrair do seu volume o 1 centímetro cúbico que recebe a dose mais alta
Doses de Prescrição de de Chen et al. – ICESP, J Neuro Onc 2022
Prescrição de Dose
CTV de alto risco: 78 Gy / 39 fx (2 Gy/fx)
CTV de risco intermediário: 60–70 Gy / 39 fx (boost integrado simultâneo)
GTV: cobertura do GTV com pelo menos 74 Gy mediante consentimento informado; considerar privilegiar o GTV em detrimento dos OAR, exceto medula espinhal e tronco encefálico (vide abaixo).
Constraints de Chen et al. – ICESP, J Neuro Onc 2022
Volumes – Alvo
| Estrutura | Parâmetro | Objetivo | Aceitável | Caso Atual |
|---|---|---|---|---|
| GTV | V78Gy | ≥99% | ≥95% | V78Gy = ___% |
| GTV | V74Gy | ≥100% | ≥95% | V74Gy = ___% |
| CTV_high | V100% | ≥99% | ≥95% | V78Gy = ___% |
| CTV_intermediate_1 | V100% | ≥99% | ≥95% | V___Gy = ___% |
| CTV_intermediate_2 | V100% | ≥99% | ≥95% | V___Gy = ___% |
| PTV_high | V78Gy | ≥95% | ≥90% | V78Gy = ___% |
| PTV_high | D2% | — | — | D2% = ___Gy |
| PTV_high | D98% | — | — | D98% = ___Gy |
| PTV_intermediate_1 | V100% | ≥95% | ≥90% | V___Gy = ___% |
| PTV_intermediate_2 | V100% | ≥95% | ≥90% | V___Gy = ___% |
OAR
| Órgão | Parâmetro | Objetivo | Aceitável | Caso Atual |
|---|---|---|---|---|
| Reto | Dmax | ≤82 Gy | — | Dmáx = ___Gy |
| Reto | V50Gy | ≤45% | — | V50Gy = ___% |
| Reto | V60Gy | ≤40% | — | V60Gy = ___% |
| Reto | V65Gy | ≤25% | — | V65Gy = ___% |
| Reto | V70Gy | ≤15% | 10cc | V70Gy = ___% e/ou ___cc |
| Reto | V75Gy | ≤10% | — | V75Gy = ___% |
| Cabeça femoral | V55Gy | ≤1% | — | R: V55Gy = ___% | L: V55Gy = ___% |
| Cabeça femoral | V50Gy | ≤10% | — | R: V50Gy = ___% | L: V50Gy = ___% |
| Intestino delgado (individual) | Dmax | 60Gy | — | Dmax = ___Gy |
| Intestino delgado (bag) | V30Gy | ≤200cc | — | V30Gy = ___cc |
| Intestino delgado (bag) | V40Gy | ≤150cc | — | V40Gy = ___cc |
| Intestino delgado (bag) | V45Gy | ≤100cc | — | V45Gy = ___cc |
| Intestino delgado (bag) | V50Gy | ≤20cc | — | V50Gy = ___cc |
| Intestino delgado (bag) | V55Gy | ≤1cc | — | V55Gy = ___cc |
| Esôfago | V70Gy | 20% | — | V70Gy = ___% |
| Quiasma | D2% | 60Gy | — | V60Gy = ___cc |
| Nervo óptico direito | D2% | 60Gy | — | V60Gy = ___cc |
| Nervo óptico esquerdo | D2% | 60Gy | — | V60Gy = ___cc |
| Tronco encefálico | Dmax | <63Gy | — | V63Gy = ___cc |
| Lobo temporal | D2cc | <71Gy | — | D2cc = ___Gy |
| Medula espinhal (PRV) — Cervical | Dmax | 67Gy | — | V67Gy = ___Gy |
| Medula espinhal (PRV) — Lombar/torácica | Dmax | 63Gy | — | V63Gy = ___Gy |
| Cauda equina/raízes nervosas/n. periférico — Não envolvida | Dmax | <70,2Gy | — | Dmax = ___Gy |
| Cauda equina/raízes nervosas/n. periférico — Envolvida | Dmax | sem hot spot | — | Dmax = ___Gy |
PRV medula espinhal = medula real +1,5mm ; Dmax = 0,03cc
Se tratamento além dos constraints, paciente consentiu com o possível déficit apresentado? ( ) sim ( ) não
Leia também
- Cordoma: possibilidade de tratamento efetivo no Brasil – Radioterapia de Alta Dose com IG-IMRT
- Cordoma: afinal, o que é radioterapia de alta dose?
Referências
- Stacchiotti S, Sommer J, on behalf of the Chordoma global consensus group. Building a global consensus approach to chordoma: a position paper from the medical and patient community. Lancet Oncol. 2015;16:e71–e83. Clique para baixar pdf
- Chen ATC, Chur Hong CB, Narazaki DK, Rubin V, Serante AR, Ribeiro Junior U, Lima LGCA, Coimbra BGMM, Cristante AF, Teixeira WGJ. High dose image-guided, intensity modulated radiation therapy (IG-IMRT) for chordomas of the sacrum, mobile spine and skull base: preliminary outcomes. J Neurooncol. 2022;158:23–31. Clique para baixar pdf